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O equilíbrio no trabalho não é espontâneo e o verão costuma expor isso

O verão aproxima-se e, com ele, surge uma ideia que muitas pessoas associam automaticamente a esta altura do ano: descanso. No entanto, na prática, desligar do trabalho nem sempre é assim tão simples. Há profissionais que entram de férias sem conseguir parar mentalmente, outros que passam semanas a adiar o descanso porque “ainda há demasiadas coisas para resolver” e há ainda quem regresse exatamente com o mesmo nível de cansaço com que saiu.


O problema nem sempre está na quantidade de trabalho. Muitas vezes, está na forma como o trabalho ocupa espaço mental constante, mesmo quando a pessoa já não está oficialmente a trabalhar. Segundo o relatório Women @ Work 2024 da Deloitte, cerca de 51% das mulheres e 43% dos homens reportam sentir-se esgotados no trabalho, sendo que a dificuldade em desligar e recuperar de forma consistente continua a ser um dos fatores mais associados ao desgaste prolongado.


Vivemos numa cultura onde estar constantemente disponível é frequentemente confundido com compromisso, dedicação ou performance. E é precisamente por isso que muitas pessoas chegam ao verão cansadas, mas sem conseguir descansar verdadeiramente.

Um dos sinais mais comuns desta dificuldade aparece na incapacidade de desligar mesmo fora do horário de trabalho. Frases como “só vou responder rapidamente a este email”, “preciso apenas de confirmar uma coisa” ou “vou aproveitar estes dias para adiantar trabalho” parecem pequenas, mas revelam algo importante: a dificuldade em interromper o estado constante de alerta. A investigação em psicologia ocupacional demonstra que a recuperação mental só acontece quando existe verdadeiro distanciamento psicológico do trabalho. Ou seja, não basta sair fisicamente do escritório. É necessário conseguir desligar também cognitivamente.


Outro sinal frequente surge quando o descanso é vivido com culpa. Muitas pessoas continuam a sentir que só podem parar “quando tudo estiver feito”, como se descansar fosse uma recompensa pelo desempenho e não uma necessidade básica para o sustentar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o burnout resulta de stress crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso, e um dos grandes problemas atuais é precisamente a normalização de ritmos de trabalho sem espaço real para recuperação. Além disso, estudos publicados pela Harvard Business Review mostram que colaboradores que conseguem recuperar física e mentalmente apresentam melhores níveis de foco, criatividade, tomada de decisão e desempenho sustentável.


Existe também a ideia de que as férias resolvem automaticamente o cansaço acumulado ao longo do ano. No entanto, quando as pessoas entram em férias já em níveis elevados de exaustão física e emocional, o impacto do descanso tende a ser muito menor. Em muitos casos, isso traduz-se em dificuldade em relaxar, irritabilidade, necessidade constante de verificar trabalho e regressos rápidos ao mesmo estado de desgaste. Um estudo publicado no Journal of Happiness Studies concluiu, aliás, que os benefícios emocionais das férias desaparecem rapidamente quando não existem mudanças consistentes na gestão diária de stress e recuperação.


O equilíbrio entre trabalho e descanso não acontece por acaso e também não surge apenas quando a agenda fica menos cheia. É construído através de decisões conscientes, limites claros e uma relação mais saudável com o tempo, a disponibilidade e a produtividade. E isto aplica-se especialmente às lideranças, porque líderes que nunca desligam acabam muitas vezes por criar culturas onde o descanso parece inseguro, mal visto ou pouco valorizado.


Num contexto profissional onde o cansaço crónico se tornou quase normalizado, aprender a recuperar passou a ser uma competência essencial. Não apenas para proteger o bem-estar individual, mas também para garantir decisões mais claras, relações mais saudáveis e um desempenho sustentável ao longo do tempo. Equipas saudáveis não se constroem apenas com foco e produtividade; constroem-se também com ritmos sustentáveis, onde existe espaço real para recuperar energia, clareza e motivação.


Na GO Coaching, ajudamos líderes e equipas a desenvolver formas de trabalho mais equilibradas, conscientes e sustentáveis, criando culturas onde desempenho e bem-estar deixam de estar em oposição e passam a fazer parte da mesma estratégia.



 
 
 

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