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InteligĂȘncia Emocional nas Equipas

o que move as pessoas e o que as une


HĂĄ equipas que tĂȘm todas as competĂȘncias tĂ©cnicas necessĂĄrias. Sabem executar, cumprem prazos, entregam resultados. E ainda assim, algo nĂŁo funciona bem. As reuniĂ”es sĂŁo tensas. A comunicação Ă© superficial. O envolvimento vai diminuindo, quase sem que ninguĂ©m perceba porquĂȘ.

O problema raramente estĂĄ nas ferramentas ou nos processos. EstĂĄ nas pessoas e na forma como gerem o que sentem enquanto trabalham juntas.

Em abril, na GO Coaching, aprofundamos o tema da inteligĂȘncia emocional nas equipas: o que Ă©, como se desenvolve, e de que forma transforma a dinĂąmica de trabalho.

 

EmoçÔes no trabalho: um facto, não um problema

O conceito de inteligĂȘncia emocional foi introduzido na comunidade cientĂ­fica pelos psicĂłlogos Peter Salovey e John Mayer, da Universidade de Yale, num artigo seminal publicado em 1990. Na sua definição original, descreveram-na como a capacidade de perceber, usar, compreender e regular informação emocional, tanto em nĂłs prĂłprios como nos outros. Mais tarde, Daniel Goleman popularizou o conceito com o seu livro Emotional Intelligence (1995), aplicando-o ao contexto do trabalho e da liderança e argumentando que estas competĂȘncias sĂŁo tĂŁo determinantes para o desempenho profissional quanto as capacidades analĂ­ticas.

Durante muito tempo, a cultura organizacional tratou as emoçÔes como algo a deixar à porta do escritório. Hoje, a investigação é clara: as emoçÔes estão sempre presentes no trabalho e ignorå-las tem um custo real para a colaboração, para a tomada de decisão e para o desempenho.

A inteligĂȘncia emocional nĂŁo significa tornarmo-nos mais sensĂ­veis ou evitar conversas difĂ­ceis. Significa desenvolver a capacidade de reconhecer, compreender e regular as emoçÔes de forma que nĂŁo interfiram negativamente nas relaçÔes e nas decisĂ”es.

Para uma equipa, isso faz toda a diferença.

 

O que acontece quando as emoçÔes não são geridas

Quando emoçÔes como frustração, ansiedade ou tensĂŁo nĂŁo sĂŁo reconhecidas ou nomeadas, tendem a manifestar-se de outras formas: reaçÔes impulsivas, comunicação defensiva, conflitos que começam numa tarefa mas tĂȘm origem num mal-entendido relacional.

Muitos dos conflitos que observamos nas equipas não começam nas tarefas. Começam nas emoçÔes que ficaram por dizer.

Neste contexto, o trabalho de Amy Edmondson, professora da Harvard Business School e uma das mais influentes investigadoras em comportamento organizacional, traz uma contribuição essencial. No seu estudo pioneiro de 1999 “Psychological Safety and Learning Behavior in Work Teams”, Edmondson demonstrou que equipas com maior segurança psicolĂłgica tĂȘm mais capacidade de aprender com os erros, comunicar com abertura e manter a eficĂĄcia mesmo sob pressĂŁo. Curiosamente, foram as equipas que mais reportavam erros, nĂŁo as que menos os cometiam, as que apresentavam melhores resultados. A diferença estava na confiança para falar.

Esta descoberta foi posteriormente reforçada pelo Projeto AristĂłteles (2012), um estudo extensivo conduzido pelo Google que analisou centenas das suas prĂłprias equipas. A conclusĂŁo: o fator mais determinante para a eficĂĄcia de uma equipa nĂŁo era a inteligĂȘncia ou a experiĂȘncia individual dos seus membros, mas a segurança psicolĂłgica, isto Ă©, a sensação de que Ă© seguro correr riscos relacionais, partilhar ideias e admitir erros sem receio de julgamento.

TrĂȘs padrĂ”es relacionais que surgem frequentemente quando esta segurança Ă© baixa:

  • Respostas rĂĄpidas sem escuta real: a outra pessoa sente que nĂŁo foi verdadeiramente ouvida

  • TensĂŁo que fica no ar apĂłs uma decisĂŁo difĂ­cil, sem espaço para ser processada

  • Comunicação que se deteriora sob pressĂŁo, transformando diferenças de perspetiva em confronto pessoal

Quando estes padrÔes se repetem, a confiança enfraquece e com ela, a capacidade da equipa de funcionar bem.

 

O papel da motivação: o que realmente sustenta o envolvimento

A inteligĂȘncia emocional nĂŁo existe isolada. EstĂĄ diretamente ligada Ă  motivação e Ă  qualidade do envolvimento de cada pessoa com o trabalho que faz.

Os psicólogos Edward Deci e Richard Ryan desenvolveram, ao longo de décadas de investigação, a Teoria da Autodeterminação (Self-Determination Theory, SDT), que distingue dois tipos fundamentais de motivação:

  1. Motivação extrĂ­nseca - sustentada por recompensas externas: bĂłnus, reconhecimento, progressĂŁo. Pode ser eficaz a curto prazo, mas, como Deci demonstrou em estudos desde a dĂ©cada de 1970, tende a enfraquecer o envolvimento autĂȘntico quando usada de forma isolada, especialmente quando substitui ou suprime a motivação interna.

  2. Motivação intrĂ­nseca - sustentada pelo significado do prĂłprio trabalho. Segundo a SDT, esta forma de motivação Ă© alimentada por trĂȘs necessidades psicolĂłgicas fundamentais: autonomia (sentir que se age por escolha prĂłpria), competĂȘncia (sentir que se Ă© capaz e que se cresce) e vĂ­nculo relacional (sentir que se pertence e que os outros importam). Quando estas necessidades sĂŁo satisfeitas, o envolvimento tende a ser mais duradouro, mais resiliente e mais criativo.

LĂ­deres com inteligĂȘncia emocional desenvolvida conseguem identificar o que move cada pessoa da equipa e criar as condiçÔes para que esse envolvimento se mantenha, mesmo em contextos de elevada exigĂȘncia.

TrĂȘs fatores que reforçam a motivação intrĂ­nseca nas equipas:

  • Perceber o propĂłsito e o impacto do trabalho realizado

  • Ter autonomia na forma como as tarefas sĂŁo executadas

  • Sentir progresso e desenvolvimento ao longo do tempo

 

CompetĂȘncias interpessoais: onde a inteligĂȘncia emocional se torna visĂ­vel

A inteligĂȘncia emocional nĂŁo Ă© apenas uma qualidade interior. Manifesta-se, ou nĂŁo, nas interaçÔes do dia a dia.

Goleman, Boyatzis e McKee, no livro Os Novos LĂ­deres (2002), argumentaram que lĂ­deres emocionalmente inteligentes tĂȘm um impacto direto no clima relacional das equipas, influenciando a forma como as pessoas comunicam, colaboram e gerem diferenças. As competĂȘncias interpessoais como a escuta ativa, empatia e capacidade de negociar diferenças de forma construtiva nĂŁo sĂŁo traços inatos. SĂŁo competĂȘncias que se aprendem e se treinam.

Algumas pråticas concretas que fazem diferença:

  • Pausar antes de reagir: dar um momento a si prĂłprio antes de responder em situaçÔes de tensĂŁo

  • Escutar atĂ© ao fim: resistir ao impulso de responder enquanto o outro ainda estĂĄ a falar

  • Separar o problema da pessoa: focar o desacordo na situação, nĂŁo no carĂĄcter de quem a criou

  • Transformar tensĂŁo em conversa: em vez de evitar o desconforto, criar espaço para o nomear

Estas prĂĄticas nĂŁo eliminam o conflito. Tornam-no produtivo.

 

O papel do lĂ­der

Em equipas com maior inteligĂȘncia emocional, o lĂ­der funciona como regulador do clima relacional. NĂŁo porque tenha todas as respostas, mas porque modela a forma como as emoçÔes podem ser geridas, com maturidade, com abertura e com responsabilidade.

Edmondson sintetizou esta ideia em trĂȘs caracterĂ­sticas essenciais de liderança para criar segurança psicolĂłgica: humildade (para reconhecer que nĂŁo se sabe tudo), curiosidade (para convidar genuinamente Ă  participação) e empatia (para responder de forma produtiva ao que os outros partilham).

Um líder que reconhece os seus próprios estados emocionais, que escuta antes de reagir e que cria espaço para que a equipa expresse o que sente, estå a construir algo que nenhuma ferramenta de gestão substitui: confiança.

 

Na GO Coaching

Nos processos de coaching de equipas que desenvolvemos, a inteligĂȘncia emocional Ă© trabalhada como base, nĂŁo como tema isolado, mas como condição para que tudo o resto (comunicação, decisĂŁo, colaboração) funcione melhor.

Cada equipa tem os seus padrÔes. O nosso trabalho começa por os tornar visíveis.

Se quiser explorar o que pode mudar na dinĂąmica da sua equipa, estamos disponĂ­veis para uma conversa.

 


 
 
 

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