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Como atravessar tempos sensíveis sem comprometer a cultura da equipa

Porque cuidar da cultura da equipa é sempre uma escolha estratégica

Não são precisos comunicados internos nem debates inflamados para se perceber quando o clima à nossa volta está tenso. Em contexto de eleições, mudanças políticas ou instabilidade social, há algo que se sente no ar, e que inevitavelmente acompanha as pessoas até ao local de trabalho. As equipas não vivem isoladas da sociedade. E mesmo quando o tema "política" é evitado, o que se vive lá fora acaba por se refletir na forma como nos escutamos (ou não), como nos posicionamos (ou nos retraímos) e como tomamos decisões.


Por isso, este artigo não é sobre candidatos. É sobre climas emocionais, stress acumulado, e o impacto invisível que os contextos tensos podem ter nas relações profissionais e na cultura das equipas.



O que se sente (mesmo quando não se diz)

A psicologia social tem mostrado, desde os estudos clássicos de Muzafer Sherif, que grupos expostos a contextos de polarização tendem a aumentar a coesão interna por exclusão do outro. Em linguagem simples: quando sentimos que há "nós" e "eles", não só ficamos mais reativos, como também mais desconfiados.


E isso sente-se nas empresas. O comentário que é evitado. O desabafo que fica atravessado. O tom mais frio no alinhamento. A ausência do "bom dia". São microexpressões de um clima emocional carregado, que nem sempre está ligado ao que se passa dentro da empresa, mas que afeta a forma como as pessoas se relacionam.



Stress funcional vs. stress contágio

No início do ano, muitas equipas aceleram o ritmo e focam-se em resultados. Há metas, objetivos, começos. E algum stress é inevitável, e até saudável, se for gerido com clareza e suporte.


Mas quando esse stress se mistura com um clima emocional polarizado, o risco é outro. Segundo a American Institute of Stress, o impacto do stress relacional no trabalho é um dos principais preditores de burnout silencioso, aquele que não se manifesta com exaustão gritante, mas com afastamento emocional, irritabilidade e perda de sentido.

E isso é terreno fértil para o crescimento de uma cultura tóxica.



Como nasce uma cultura tóxica? (Spoiler: não é de um dia para o outro)

É tentador pensar que culturas tóxicas se criam por lideranças abusivas ou conflitos abertos. Mas muitas vezes, o que as mina é bem mais subtil:

  • Silêncios que se acumulam;

  • Conversas que não se têm;

  • Insegurança para discordar;

  • Pequenas exclusões sociais;

  • Microagressões normalizadas.


A cultura de uma equipa é feita de comportamentos que se repetem sem serem questionados. E em momentos de maior tensão externa, o risco de os deixar passar é maior. Afinal, toda a gente está focada em entregar.


Amy Edmondson, professora em Harvard e autora do conceito de segurança psicológica, defende que "o medo de falar pode ser mais perigoso do que o erro". E é precisamente isso que acontece em ambientes onde o desconforto é escondido.



Liderança emocional: entre escutar e não escalar

Não se trata de criar espaços para debates ideológicos. Trata-se de saber reconhecer o que está presente, mesmo quando ninguém o nomeia.

Liderar em tempos sensíveis pede três coisas:

  • Escuta com curiosidade, não com juízo;

  • Capacidade de regular a própria reatividade;

  • Coragem para intervir antes que escale.


A GO Coaching defende, nos seus programas de coaching de liderança, que os pequenos gestos de presença emocional têm mais impacto na cultura de uma equipa do que qualquer slide de valores institucionais. Um check-in semanal. Um reconhecimento informal. Um alinhamento sobre o que está a acontecer "por dentro" de cada um. Pequenos rituais que regeneram.



Atravessar tensões com maturidade e profissionalismo

Cuidar de uma equipa não é proteger do mundo. É reconhecer que ele existe e ajudar a criar um espaço onde seja possível estar, mesmo em tempos de maior tensão. Uma cultura organizacional saudável não se mede pelo que a equipa entrega quando tudo está bem, mas pelo que ela preserva quando o ambiente está mais instável.


Não sabemos o que virá nas próximas semanas. Mas sabemos que a forma como cada equipa atravessa este período pode deixar marcas. E também pode criar novos começos.


Duas mulheres em reunião

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