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VARINHA DE CONDÃO

É inevitável não falarmos do que está a acontecer.

Penso que falo de forma transversal quando digo que nos apanhou a todos de surpresa. É avassalador e, ao mesmo tempo, atroz assistirmos às notícias constantes, às imagens que nos impressionam e aos relatos que julgávamos pertencer aos livros de história de quando andávamos na escola.

E simultaneamente, vem um sentimento de impotência tão grande que nos sentimos perdidos por não conseguirmos terminar com tudo isto. Quem nos dera ter essa varinha de condão que mudasse tudo e pudéssemos mesmo dizer: "vai ficar tudo bem".


Com toda esta sensação de impotência, vem a sensação de que o pouco que possamos fazer terá um impacto estrutural pouco significativo. A verdade é que se nos agarrarmos a esse sentimento, a probabilidade de nos deixarmos envolver por essa incapacidade nos pode levar à inação.


No nosso dia-a-dia, como psicólogas, a Rita e eu procuramos trazer esta ação a todos os que nos procuram.

Ajudar a que identifiquem o que podem fazer, como fazer, como influenciar, como conseguir resultados. Como impactar positivamente na vida dos outros, às vezes com pequenos gestos. Quer com ações de voluntariado a desconhecidos, quer com ações com o colega que está ao lado, quer ao vizinho da porta em frente.

Sabemos que as grandes mudanças se fazem a partir de pequenas mudanças. E acreditamos no poder do dar.


E o dar pode ter vários formatos: dar bens essenciais, roupa, medicamentos, alimentos, transporte… Como também dar tempo, disponibilidade, sorrisos, ajuda, escuta, abraços, compreensão e empatia.

Dar uns, não invalida não dar os outros. E no mundo em que vivemos, todos são indispensáveis.

Que a nossa capacidade de dar esteja presente nos pequenos gestos, em diferentes formatos. Que tenhamos sempre a confiança de acreditar que só dando, o que for, é que tocamos nos outros.

Todos precisamos de sentir essa esperança, de algo diferente, de algo melhor. De confiarmos no poder de olharmos para quem nos rodeia e darmo-nos em medida do que acreditamos.

Enquanto psicólogas, temos este privilégio de nos cruzarmos com pessoas e de reforçar, dia após dia, a importância da Ação, do Dar e da Empatia. Só assim, conseguiremos trazer alguma “paz” ao mundo que nos rodeia.